Eu nunca acreditei muito que um dia eu perderia as pessoas que eu amo, pelo menos não para a morte. Essa história de que alguém vai embora pra sempre e nunca mais eu vou poder abraçar ou ver meche demais comigo e de toda forma que eu tente, não consigo colocar isso na minha cabeça.
Durante cinco anos tive uma confidente, uma amiga, uma irmã, um anjo que entrou na minha vida pra não me deixar mais sentir só ou triste, um alguém com quem eu contara desde como foi meu dia até os meus segredos mais profundos... Durante cinco anos eu tive uma amiga que eu posso dizer que era metade de mim, que meus pais chamavam de filha, e que eu amava com o amor mais puro que a amizade pode proporcionar a alguém.
Vivemos coisas inacreditáveis juntas, nos convertemos, saímos da igreja,voltamos, assustamos pessoas na rua, nos abraçamos, nos batemos, acordamos nossos pais de madrugada com as nossas risadas descontroladas, estressamos os outros no ônibus e alguns anos depois estressamos os outros em cima da moto (risos)... fomos felizes entende? tão felizes que nos prometemos que se um dia uma de nós namorasse sério não deixaria o relacionamento mudar nossa amizade.
E nós até acreditávamos que ficaríamos velhas sendo amigas, como naqueles filmes sabe? no fim da tarde eu ligaria pra ela ir tomar chá na minha casa, nossos maridos chegariam e nós estaríamos juntas sentadas na varanda relembrando nossa juventude que fora tão intensa e feliz... Mas infelizmente o destino não permitiu que fosse dessa maneira, em uma sexta feira qualquer passamos o dia juntas, como de costume sorrindo e brincando, mas como se nós duas estivessemos sentindo que sería a ultima.
Foi o dia que eu mais demonstrei carinho a ela , estranhamente sem ter um porque! disse que a amava umas dez vezes, a abracei e brincamos como duas crianças... Já eram quase dez da noite quando a única coisa que nós queríamos era chegar em casa bem, estávamos voltando numa velocidade normal, e em cima daquela moto vivemos nossos últimos segundos juntas, um idiota sem coração cruzou nosso caminho sem medo de matar ou morrer, enfiou o carro na nossa frente como se não estivesse fazendo nada de mal ... e minha ultima lembrança da minha melhor amiga viva é dela gritando e logo em seguida o barulho da batida.
Um minuto depois ela não estava respirando e minha cabeça dava voltas e voltas como se eu estivesse acabado de sair de uma montanha russa, minha princesa foi reanimada e ficou seis dias na U.T.I , com morte cefálica, mas a vontade de viver dela não foi o suficiente pra livrá-la das garras impiedosas da morte, e hoje eu estou aqui, com um vazio redobrado me rondando, tentando entender porque mesmo depois de quase dois meses eu ainda acordo e ligo pra ela , porque eu ainda não me acostumei com o fato de ela não estar mais aqui comigo, minha amiga foi morar com Deus, e eu estou aqui vivendo com os homens... e esperando uma estrela brilhar mais forte pra mim quando eu olhar pro céu.

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